O que são grãos quebrados de feijão?
Grãos quebrados de feijão, popularmente conhecidos como “bandinhas”, são fragmentos resultantes do processo de beneficiamento do feijão, especialmente do feijão carioca. Esse tipo de feijão é amplamente consumido no Brasil e considerado uma fonte importante de proteína vegetal. Em geral, durante o processamento, cerca de 1% a 5% dos grãos quebram e perdem valor comercial.
Como ocorre a transformação em proteína?
A transformação de grãos quebrados de feijão em proteína envolve um processo inovador chamado fracionamento a seco desenvolvido por especialistas do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital). Este método, que não utiliza solventes, consome menos água e energia do que os processos convencionais de extração.
O primeiro passo consiste em moer os grãos até que se tornem uma farinha integral. Após isso, a farinha é separada mecanicamente em duas partes principais:

- Fração proteica: que concentra entre 40% e 50% de proteína.
- Fração amilácea: rica em amido, com um teor de proteína que varia de 10% a 20%.
Benefícios nutricionais da proteína de feijão
A fração proteica obtida dos grãos quebrados de feijão apresenta uma composição nutricional benéfica, contendo todos os aminoácidos essenciais que o corpo humano necessita. Estudos indicam que essa proteína supera os parâmetros de referência estabelecidos pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Além disso, um pré-tratamento térmico aplicado antes da moagem serve para reduzir até 95% dos compostos antinutricionais presentes naturalmente nos feijões, aumentando sua digestibilidade, que atinge valores superiores a 60%.
Sustentabilidade na produção de alimentos
A utilização de grãos quebrados de feijão para a produção de proteína é uma abordagem sustentável, pois evita o desperdício de um subproduto que, de outra forma, teria um valor comercial limitado. Além disso, ao substituir ingredientes de origem vegetal importados, como a soja e a ervilha, diminui a dependência de insumos externos, proporcionando uma alternativa mais econômica e ambientalmente amigável.
Impacto ambiental da redução de insumos importados
A redução da dependência de insumos vegetais importados tem um impacto positivo no meio ambiente. Ao utilizar grãos quebrados de feijão, é possível diminuir a pegada de carbono associada ao transporte de matérias-primas de outros países, além de promover uma produção local que contribui para o desenvolvimento econômico da região.
O papel do Ital na pesquisa alimentar
O Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), localizado em Campinas (SP), desempenha um papel fundamental na pesquisa e desenvolvimento de alternativas alimentares inovadoras. Em parceria com a Plataforma Biotecnológica Integrada de Ingredientes Saudáveis (Pbis), a instituição busca aprimorar a utilização de subprodutos agrícolas, promovendo soluções que agregam valor e ampliam a sustentabilidade na indústria de alimentos.
Processos tecnológicos envolvidos na transformação
A tecnologia aplicada para transformar grãos quebrados em proteína envolve uma série de etapas cuidadosamente planejadas, incluindo:
- Moagem: Onde os grãos são transformados em farinha integral.
- Separação: O processo mecânico que divide a farinha em frações proteica e amilácea.
- Pré-tratamento térmico: Reduz compostos indesejáveis e ajusta a digestibilidade do produto final.
Possíveis aplicações na indústria alimentícia
Os pesquisadores testaram a proteína extraída em diversas aplicações, demonstrando sua versatilidade. Algumas das possibilidades incluem:
- Pó instantâneo para cappuccino, contendo 5 gramas de proteína por porção.
- Bebidas vegetais fermentadas com frutas, como manga e maracujá.
- Snacks nas versões neutra, salgada e doce, utilizando a fração rica em amido.
Desafios e oportunidades da nova proteína vegetal
Apesar das inovações e benefícios, a introdução da proteína de feijão no mercado enfrenta desafios, como a necessidade de educar os consumidores sobre suas qualidades e versatilidade. Contudo, a crescente demanda por alimentos saudáveis e sustentáveis abre um leque de oportunidades para os produtos à base de feijão carioca. Com mais de 30 novos ingredientes e 20 processos industriais desenvolvidos durante os quatro anos do projeto, a proteína de feijão carioca se torna uma opção atraente para a indústria alimentícia.
Futuro do feijão carioca na alimentação brasileira
O feijão carioca, um dos mais populares no Brasil e que representa 54% das 3 milhões de toneladas produzidas anualmente, tem um potencial vasto no contexto da alimentação nacional. Ao desenvolver formas inovadoras para utilizar seus subprodutos, como os grãos quebrados, o Brasil pode não apenas aprimorar a oferta de proteínas vegetais, mas também auxiliar na luta contra o desperdício e na promoção da segurança alimentar.
