Mudanças nas Regras das Bolsas
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) anunciou novas diretrizes para os programas de bolsas de estágio no exterior. Essa atualização altera aspectos significativos para estudantes de graduação e mestrado. A partir de agora, esses grupos não poderão mais solicitar as Bolsas de Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE) de maneira contínua, como acontecia anteriormente.
Com a nova regulamentação, as solicitações serão possíveis apenas por meio de editais específicos que serão lançados em momentos determinados no futuro. Essas mudanças visam reorganizar a distribuição de recursos e a administração das bolsas, alinhando-as às necessidades de pesquisa do estado. Embora houvesse uma preocupação expressa por muitos acadêmicos e instituições relacionadas à ciência, a Fapesp se posicionou destacando que essas modificações são essenciais para garantir a sustentabilidade financeira da fundação.
Impacto nas Bolsas de Estágio
Essa reestruturação impacta diretamente os alunos de iniciação científica e de mestrado que, até então, podiam concorrer a uma bolsa BEPE a qualquer momento. Agora, deverão aguardar as aberturas de editais específicos, o que pode restringir a quantidade de oportunidades para esses estudantes. A alteração foi motivada pela necessidade de gestão mais eficaz dos recursos e um ajuste na quantidade de alunos beneficiados pela Fapesp.

Enquanto isso, as bolsas para doutorandos e pós-doutorandos continuam disponíveis, mas a duração do tempo permitido para esses programas foi reduzida de 12 meses para 6 meses. Em certas situações excepcionais, pode haver a possibilidade de prorrogação por mais 6 meses, mas isso dependerá de análise e aprovação da Fundação.
O Fim do Fluxo Contínuo
Até agosto de 2026, o sistema de fluxo contínuo para a concessão de bolsas de estágio permitia que alunos de graduação e mestrado se inscrevessem a qualquer momento. Essa prática foi encerrada com o novo regulamento. O fim desse fluxo contínuo representa uma mudança significativa, pois a flexibilidade anterior estava alinhada com a dinâmica do ensino e pesquisa, permitindo que os estudantes se adaptassem às necessidades emergentes em seus projetos.
A resposta à alteração foi rápida e intensa. Representantes acadêmicos e membros da comunidade científica expressaram preocupações sobre como essa mudança poderia afetar as colaborações internacionais, a troca de conhecimento e a formação de redes de contato entre pesquisadores.
Novos Editais e Critérios
Os novos critérios estabelecem que a submissão para as bolsas BEPE agora ocorrerá através de editais, que serão divulgados em datas específicas. Os alunos cujas bolsas foram aprovadas até 31 de agosto de 2026 poderão se candidatar em uma chamada que será anunciada ao final de setembro de 2026. Já para aqueles que receberem aprovações a partir de 1º de setembro de 2026, as inscrições poderão ser feitas na primeira chamada do primeiro semestre de 2027.
Esse novo formato exigirá que os alunos se planejem com antencedência e fiquem atentos às datas de publicação dos editais, mudando a forma como se organizam em suas pesquisas e colaborações internacionais.
Reação da Comunidade Acadêmica
A reação à nova regulamentação da Fapesp tem sido negativa entre estudantes e pesquisadores. Muitos veem as mudanças como uma restrição ao crescimento acadêmico e à internacionalização das pesquisas desenvolvidas no Brasil. O doutorando em Física, João Marcelo Alves, que estava em processo de submitir sua proposta para o BEPE, expressou frustração com a alteração: “Fui pego de surpresa e terei que adequar meu cronograma de pesquisa, o que pode comprometer meu trabalho colaborativo com colegas nos Estados Unidos”.
A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) também se manifestou contra a decisão, enfatizando a importância dos intercâmbios para o desenvolvimento de pesquisas relevantes e inovadoras. De acordo com a ANPG, essas bolsas são fundamentais para o acesso a metodologias avançadas e para o fortalecimento da pesquisa científica no Brasil.
Duração das Bolsas para Doutorado
No que se refere aos doutorandos, confrontado com a redução do período de bolsa de 12 meses para 6 meses, a crítica é que essa mudança não só afeta a duração da pesquisa, mas também pode impactar a qualidade do conhecimento gerado. A Fapesp, em sua defesa, afirmou que este ajuste busca preservar a excelência financeira da fundação e garantir que os recursos sejam direcionados para aqueles que estão em fases mais avançadas de seu desenvolvimento acadêmico.
Embora o ajuste tenha um foco claro em manter a qualidade das pesquisas e do financiamento, muitos acadêmicos afirmam que a duração limitada das bolsas não permitirá o aprofundamento necessário em áreas que exigem mais tempo para serem exploradas efetivamente.
Justificativas da Fapesp
A Fapesp justificou essas mudanças apontando que a demanda por suas bolsas cresceu de maneira significativa e que, para manter a excelência em financiamento, ajustes foram necessários. A fundação revelou que, entre 2023 e 2025, o número total de bolsas contratadas aumentou 73%, e as demandas por bolsas internacionais cresceram 52% nesse mesmo período.
Além disso, em junho de 2026, os gastos com bolsas já estavam consumindo 58% do orçamento total da Fundação, um número muito acima da média histórica de 35%. Para garantir que a fundação continue a operar de maneira sustentável, a necessidade de ajustes nas bolsas tornou-se evidente.
Como Seguir com o Processo
Para doutorandos, a modalidade de bolsa BEPE pode ser solicitada a qualquer momento, mas com a nova duração de 6 meses. Para solicitar prorrogações, os estudantes terão que passar por uma avaliação de mérito, apresentada pela Fapesp. Para aqueles que estão na graduação ou no mestrado, o acesso às bolsas acontecerá de acordo com os editais anunciados, e eles precisam estar atentos às datas.
Os alunos devem se preparar logisticamente para apresentar suas propostas de pesquisa em conformidade com os novos requisitos de edital, considerando o novo formato e os prazos rigorosos.
Expectativas para o Futuro
Os críticos dessas mudanças temem que a diminuição do acesso às bolsas de estágio e a redução do tempo para doutorado resultem em uma diminuição do intercâmbio acadêmico, que é essencial para o avanço da ciência brasileira. Contudo, é crucial que a Fapesp consiga manter um equilíbrio entre suas receitas e despesas, a fim de assegurar a continuidade do suporte às pesquisas no estado. A expectativa é que essas novas diretrizes possam render frutos a longo prazo, melhorando a eficiência e a qualidade da pesquisa financiada.
Até lá, a comunidade acadêmica deverá se adaptar a essas mudanças e trabalhar em conjunto para garantir que a qualidade da pesquisa se mantenha, apesar das restrições impostas.
Perspectivas de Pesquisa no Exterior
Com a nova configuração das bolsas da Fapesp, a pesquisa no exterior pode sofrer um impacto significativo, especialmente para alunos de graduação e mestrado. A possibilidade de realizar estágios em universidades estrangeiras facilitará, nos próximos anos, o acesso a metodologias e conhecimentos que podem expandir o horizonte acadêmico e científico dos estudantes.
É essencial que a comunidade acadêmica continue pressionando por uma revisão das normas, de forma a garantir que a internacionalização da pesquisa continue a fazer parte da formação científica e educacional no estado de São Paulo.


